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Ministra Nancy Andrighi é homenageada e lembra seu primeiro dia como juíza
09/05/2019 16:55
 
20/05/2019 19:01

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“Eu saí de Porto Alegre sem saber onde iria morar. Volto no ano de 1976. Quando assumi o cargo de juíza no Rio Grande do Sul, fui mandada para uma comarca a mais de mil quilômetros da capital, onde não tinha luz, mas eu não sabia antes de chegar lá, e o ônibus só ia para a comarca se não chovesse”, relatou a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nancy Andrighi ao ser homenageada nesta quinta-feira (9), em Brasília, no VI Congresso Mulheres no Processo Civil Brasileiro.

O evento, fruto de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Direito Processual (IBDP) e a Escola da Advocacia-Geral da União (AGU), faz parte do Projeto Mulheres no Processo Civil Brasileiro e tem o objetivo de dar destaque à mulher brasileira como pensadora, pesquisadora e produtora de conhecimento no âmbito do direito processual. 

Durante o congresso, Nancy Andrighi falou sobre seu primeiro dia como juíza e contou as dificuldades que encontrou ao sair de Porto Alegre, com apenas 23 anos, para iniciar a carreira de magistrada em uma comarca na divisa do Brasil com o Uruguai.

“No primeiro dia, lembro que cheguei lá às 6 da tarde. Eu me vi às 6h30 na porta do fórum, com uma mala, uma caixa de livros, e pensando: onde eu vou dormir? Não tinha opção, então entrei e disse: vou dormir aqui. E dormi no fórum aquela noite. Quando deu 9h, a luz apagou. A luz só funcionava por gerador, quando tinha combustível. Eu dormi naquele quartinho em um sofá pequeno, e ali foi minha primeira noite na minha primeira comarca, em 1976.”

Experiência

Apesar dos contratempos, a magistrada disse que aquela primeira experiência foi fundamental para o fortalecimento de sua carreira e para seu engrandecimento pessoal.

“São essas coisas que nos fortalecem, e agora eu recebo o retorno de vocês com essa homenagem e toda essa amorosidade, que cobre todo mal-estar, o medo e a insegurança que eu senti naquela noite”, concluiu a homenageada.

O presidente do STJ, João Otávio de Noronha, presente na mesa do evento, elogiou a oportunidade que o IBDP e a Escola da AGU oferecem às mulheres brasileiras de apresentar seu talento, e destacou a sensibilidade e o empenho da ministra Nancy Andrighi nas causas de família.

“Nancy é uma brava profissional, uma brava mulher. Com ela, aprendo todo dia. Ela tem a capacidade de apreensão dos fatos, de subsumir esses fatos às normas, mas nunca desprezando o valor humano”, afirmou o presidente.

Confira a programação do evento.​​